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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Fundamentos Filosóficos

O que é Filosofia

A palavra filósofo, que significa aquele que ama a sabedoria, foi criada por Pitágoras. A filosofia também pode ser entendida como a busca pelo ouro, sendo o saber o ouro tão desejado. E o método para se encontrar esse ouro seria o raciocínio lógico, racional.

Ao filosofar, perguntamos “o quê”, “como” e “por que”. E não podemos ter em mente que a filosofia irá encontrar a resposta de todas as coisas. E tampouco podemos dizer “eu acho”. Muito menos viajar em pensamentos aleatórios.

Algumas considerações sobre a sabedoria, objetivo máximo da filosofia: Ela pode ser ensinada, não é privilégio de alguns poucos e só é obtida através de raciocínio lógico. A sabedoria também busca o porquê de todas as coisas.

Antes de Sócrates, temos os filósofos da natureza. Tais filósofos se preocupavam em buscar um princípio universal de todas as coisas. Os mais notáveis são Pitágoras, Tales de Mileto e Heráclito.

O mais antigo de todos, Tales de Mileto, acreditava que a água fosse o princípio básico de tudo, o ponto de partida para o surgimento de todas as coisas. Depois dele, Pitágoras dizia que os números são o princípio fundamental do universo. Heráclito acreditava no dinamismo das coisas, no devir, na mudança constante.

A partir de Sócrates, há mudança de foco na filosofia. Os mais importantes filósofos da era antiga são Sócrates, Platão e Aristóteles.

Exigências da Reflexão Filosófica


O objetivo fundamental do estudo de filosofia é aprender a pensar. Não aprender uma série de definições e conceitos, mas sim aprender a filosofar.

Podemos resumir filosofar como retomar, analisar cuidadosamente, refletir com rigor, ponderar e examinar detidamente e globalmente. Todos esses como passos do processo filosófico de pensamento.

A filosofia é antes uma reflexão radical sobre os problemas sociais. Enquanto que a ciência estabelece leis, a filosofia é um método de raciocínio que pode ou não levar à formulação das leis da ciência. A filosofia da educação, por exemplo, vai refletir sobre os problemas do meio educacional.

No estudo da filosofia, encontramos três tipos de conhecimento. O primeiro é o conhecimento vulgar, que decorre da observação popular do mundo a sua volta. Não tem rigor nem método em suas conclusões. Temos também o conhecimento científico, que utiliza uma metodologia sistemática para a produção do conhecimento. O conhecimento filosófico também utiliza rigor em seu conhecimento, porém não formula leis e nem chega a uma conclusão final.

A reflexão filosófica se assemelha a afirmação de Descartes, penso, logo existo (Cogito Ergo sum).

Contrária a Descartes, a doutrina ceticista afirma que conhecimento nenhum pode ser alcançado pela mente humana. Toda observação e conclusão humana é fruto de aparências e ilusões segundo tal doutrina.

Hume, por sua vez, acreditava que a realidade que vivenciamos é produto de nossas reflexões psicológicas. Já Immanuel Kant colocava a realidade acima dos nossos próprios pensamentos. Para Hegel, a razão é o fundamento da realidade: “todo real é racional e todo racional é real”.

Período Clássico da Filosofia Antiga


Retomando o que já foi dito anteriormente, as três principais mentes filosóficos do período antigo são de Sócrates, Platão e Aristóteles, em ordem cronológica. Vamos falar em sequência de cada um deles.
Sócrates nasceu em Atenas, no ano de 470 A.C. e foi condenado a morte em 399 A.C., por conta de seus ensinamentos. Foi mestre de Platão.

Sócrates rompeu com a preocupação de estudar o mundo físico, recorrente nos filósofos anteriores. Seu maior objetivo eram os conceitos metafísicos. Uma vez que não escreveu nada, tudo o que sabemos sobre é graças aos escritos Platão.

Sócrates praticava a filosofia em locais públicos, conversando com que aparecesse no momento. Seu método de ensino consistia na ironia e maiêutica. Era basicamente o seguinte: Sócrates indagava a pessoa sobre algo específico e questionava sobre aquilo que acreditava como certo. Essa era a ironia. Depois de mostrar à pessoa, através de perguntas, que ela poderia não estar certa, vinha o nascimento interior sobre o que poderia ser mais correto, ou seja a maiêutica.

Maiêutica significa o nascimento, surgimento das ideias.

Só sei que nada sei era uma das afirmações de Sócrates. Apesar disso, foi acusado de zombar dos deuses e de corromper a juventude e por isso foi condenado pela sociedade ateniense a beber veneno de cicuta. Acredita-se que o seu conflito com os sofistas também tenha contribuído para sua morte.

Os sofistas eram sábios que na época cobravam para ensinar seus conhecimentos, ao contrário do que Sócrates fazia. Ensinavam principalmente oratória e retórica. Prótagoras, expoente sofista, afirmava que o homem era a medida de todas as coisas, ou seja, que o homem estava ao centro do universo. Górgias, da atitude ceticista, também era um sofista.

O atrito entre Sócrates e os sofistas estava justamente na relatividade com que estes tratavam a verdade. Para Sócrates, e para a filosofia atualmente, os conceitos deveriam ser universais.

Vamos falar agora de um dos discípulos de Sócrates, Platão, o filósofo das ideias.

Para Platão, o mundo em que vivemos é apenas uma sombra de outro mundo de formas perfeitas, o mundo das ideias. Nesse mundo, cada ideia é como que o molde original de onde os outros materiais surgiram, como por exemplo a ideia da cadeira consiste na cadeira perfeita que deu origem as outras cadeiras que existem em nossa realidade.

Esse mundo ideal seria o objetivo do conhecimento cientifico e filosófico, episteme. O mundo sensível, nosso mundo, é a doxa, fruto de aparências. O célebre mito da caverna, de autoria de Platão, retrata esse conceito, onde cada sombra na caverna é como que uma representação da realidade em que vivemos, mera sombra do real mundo das ideias.

Platão também criou a cidade/estado (pólis) perfeita. Nela, cada um teria sua função, de acordo com o conceito de justiça criado por ele, e a cidade seria governada por filósofos.

Platão também teve um discípulo de impressionante genialidade: Aristóteles (384-322A.C.).

Aristóteles discordou de seu mestre quanto ao mundo das ideias. Para Aristóteles não existe um mundo de formas ideais como propôs Platão, mas cada ser tem em si mesmo sua própria essência. Dessa forma, cada ser teria sua existência dividida em dois planos: o essencial, que dá a cada um sua característica de como ele é; e o acidental, que está no indivíduo mas não é essencial. Podemos usar de exemplo o fato de uma cadeira ser verde, outra amarela, etc.

Apesar de ter estudado 20 anos na Academia de Atenas, Aristóteles era da Macedônia. E isso o impediu de substituir Platão na direção da mesma após a sua morte, pois os atenienses não gostavam de estrangeiros. Fundou mais tarde outra academia, chamada de Liceu.

Outra característica da filosofia aristotélica é a divisão da matéria em ato e potência. Segundo ele, toda ser existente contém em si o ato, que representa seu estado atual, e a potência, que é o que ele pode vir a se transformar posteriormente. O barro é o ato de barro e a potência de se transformar em tijolo. O tijolo por sua vez é o ato tijolo e a potência de se transformar em casa, etc.

Ideologia


A ideologia também faz parte do estudo da básico de filosofia. De acordo com o ponto de vista filosófico, existem três tipos fundamentais de ideologia: a falsa verdade, um saber cheio de lacunas.


A importância da ideologia é algo a ser refletido, pois muitas vezes ela é usada como meio de opressão e controle. Para esclarecer isso, podemos citar o comunismo, o nazismo e até mesmo o capitalismo como exemplos de ideologia de controle. O capitão América e o super-homem também podem ser vistos como exemplo de ideologias. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Filosofia Moderna III - Empirismo

Empirismo


A seguir veremos o que essa corrente filosófica que se denomina empirismo, seus principais fundadores e a época em que surgiu.

O empirismo conta com dois nomes entre os seus principais fundadores: John Locke e David Hume. O primeiro era um inglês nascido em 1632 e morto em 1704, ardoroso defensor do liberalismo econômico. David Hume nasceu em Edimburgo no ano de 1711 e viveu até 1776. Além do empirismo radical, Hume também ficou conhecido pelo ceticismo filosófico.

O empirismo de caracteriza por ser uma corrente filosófica contrária ao Racionalismo, pois acredita que o conhecimento não parte do raciocínio logico e sim das experiências do ser humano com o mundo físico.

Segundo o empirismo, o ser humano nasce como uma folha em branco, que vai sendo preenchida de acordo com as experiências que ele tem na sua vida. A combinação de experiências vai gerando na mente do ser humano uma visão do mundo que aos poucos vai se tornando mais complexa e detalhada.

Hume também explicava que a experiência humana se baseia em dois tipos diferentes: as impressões e as ideias. As impressões são como que derivadas da experiência original e as ideias seriam recordações dessa sensação proveniente da experiência primaria.

Ainda de acordo com o Empirismo, todo o conhecimento gerado pelo ser humano em nossa mente é proveniente dos nossos sentidos. Com outras palavras, os nossos sentidos são as ferramentas usadas pelo corpo para a ocorrência das experiências que irão gerar conhecimento em nós.

Hume tinha a preocupação de examinar as ideias geradas pelos nossos sentidos pois o ser humano pode juntar experiências diversas e com elas criar a ideia complexa de algo que na realidade não existe. Sua análise consistia em descobrir se as ideias formadas têm ou não uma experiência correspondente para, a partir daí, determinar se elas são verdadeiras ou falsas.

De acordo com tal raciocínio, Hume afirmava que a ideia de Deus, por exemplo, é falsa, pois não existe nenhuma experiência sensível que comprova Sua existência.

De maneira sucinta, podemos dizer que o empirismo afirma que o ser humano nasce sem conhecimento algum e tudo o que ele aprende se dá através de experiências como o meio externo, que ocorrem através dos nossos sentidos.

A seguir, teremos uma visão resumida do que é o racionalismo para facilitar os estudos. Lembrando que o racionalismo foi tratado anteriormente nesse mesmo texto.

Para compreensão do racionalismo é necessário primeiro entender a mudança de estrutura que permitiu o surgimento de tal corrente filosófica. Uma dessas mudanças está na forma de pensar: enquanto o homem medieval acreditava num mundo onde Deus estava no centro de todas as coisas, o homem moderno crê no que chamamos de antropocentrismo, no qual o homem é o centro de tudo.

No racionalismo, a verdade está presente no raciocínio do próprio homem. Existem, porém outras teorias gnosiológicas (chamamos de gnosiologia o estudo da origem do conhecimento):

·         Dogmatismo: baseia-se na crença da verdade pela fé

·         Ceticismo: nega há possibilidade de se obter conhecimento

·         Relativismo: prega que não existem verdades universais, apenas verdades baseadas no ponto de vista das pessoas

·         Pragmatismo: toma como verdade aquilo que é útil no momento.

O racionalismo, que prega o conhecimento a partir da razão, afirma que existem duas formas de se obter o conhecimento: inatismo, que correspondem as ideias que nascem com o indivíduo; e o conhecimento a priori, derivada da razão e que não participa do conhecimento sensível.

O racionalismo cartesiano tem algumas características específicas, como por exemplo a divisão do método de estudo em 4 regras fundamentais: evidência, análise, síntese e enumeração. Tal método para Descartes deveria partir de princípios matemáticos.

Outra característica cartesiana importante para se guardar é a de que a existência do ser humano é provada pela capacidade de pensar (cogito, ergo sum).

Descartes também conclui que Deus existe a partir da ideia de um ser perfeito, capaz de conhecer todas as coisas, diferentemente do homem, que apesar de pensar não é capaz de conhecer tudo.


Filosofia Moderna: Empirismo e Iluminismo



Enquanto que no Racionalismo moderno, que teve com Descartes seu maior filósofo, o ponto de partida era o ser pensante, O empirismo nega toda essa ideia, afirmando que o conhecimento da verdade não parte do raciocínio interno das pessoas e sim da experiência sensível.

De uma maneira mais detalhada, tal experiência ocorreria de duas formas: a percepção do mundo externo através de nossos sentidos e o exame interno de nossas atividades mentais.

No iluminismo, temos Jean Jacques Rousseau como o seu maior filosofo. Ele nasceu na Genebra em 1712, mas na França que escreveu suas principais, entre elas O contrato Social e O discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens.

No contrato social, Rousseau descreve a maneira como um soberano deve comandar a nação, que segundo ele é de acordo com a vontade geral do povo. Já no Discurso, Rousseau valoriza os valores de uma vida natural e critica a corrupção.

De acordo com Rousseau, é a educação que vai determinar o caráter de um homem. Segundo ele, o homem nasce naturalmente e é corrompido pelo artificialismo da civilização.

Tal corrupção aconteceria pela pressão social exercida sobre o indivíduo desde o seu nascimento e pela corrupção que, se for malfeita, pode desvirtuar uma pessoa. De acordo com Rousseau, a natureza educa os sentidos enquanto que o ensino educa a mente e a experiência molda o comportamento.

Rousseau ainda dizia que o homem nasce acorrentado a normas e valores impostos pela civilização, sendo tarefa da filosofia dar liberdade ao homem fazendo-o voltar a sua instintividade natural. Rousseau acreditava que história da humanidade seria na realidade uma degeneração ao invés de evolução, e que a única vantagem da vida em sociedade era a união das forças individuais.

Na sua obra O contrato Social, ele defende a liberdade e o respeito as normas comuns, dizendo que as leis de tal contrato deveriam ser impessoais para garantir o direito de todos. Ainda na obra, Rousseau afirma que cada indivíduo deve renunciar à própria liberdade em prol da liberdade dos outros.

Ao longo da história da humanidade, os direitos naturais do ser humano vêm sendo ofuscados pela artificialidade da vida em sociedade. Direito natural corresponderia a um direito garantido pela natureza aos seres humanos e válido em qualquer lugar. Ao passo que os direitos civis regulariam as relações das pessoas em situação de equilíbrio.

O direito civil teria surgido para estabelecer mais justiça nas relações interpessoais e para que possa ter validade é necessário que haja igualdade e respeito entre os homens.

Rousseau dizia que a corrupção se inicia no momento em que o homem começa a viver numa solidão bucólica. E ainda de acordo com ele, um Estado maior e com mais eficiência seria o responsável por ter um povo maior e mais eficiente.


Por último, Rousseau dizia que a justiça somente seria possível com a participação popular, até mesmo para evitar o sufocamento da população com a soberania do Estado. E que as injustiças sociais derivam da tentativa de falsear a lei e a justiça.

domingo, 23 de agosto de 2015

Filosofia Moderna II

Idade Moderna e Filosofia Moderna


Para começarmos o estudo da filosofia na Idade Moderna, é necessário estabelecer algumas características desse período e o que mudou com o fim da era medieval. Começamos por dizer que tal período se estendeu de meados do séc. XV a fins do séc. XVIII. Entre as suas principais marcas, citamos o movimento de reforma que derrubou a unidade religiosa em torno da Igreja Católica e a mudança de mentalidade do teocentrismo para o antropocentrismo, conforme proposto por Copérnico e posteriormente Galileu. Apesar de certo, Galileu foi obrigado a renegar tudo o que havia proposto, inclusive as teorias que explicavam a queda dos corpos e as descobertas astronômicas, tudo por causa da perseguição da Igreja Católica.

Galileu, aliás, foi um dos mais importantes cientistas desse período. Nascido em 1564, na Itália, Galileu foi responsável por radicais mudanças no conhecimento até então formado, realizando progressos nas áreas da óptica, hidrostática, estudo do movimento, dinâmica, etc. seus procedimentos eram muito voltados para a experimentação, mas não se utilizava somente disso para formular seus postulados. Ele também se utilizava de seu raciocínio próprio e o submetia a provas para verificar sua validade.

Na mudança da era medieval para a Idade Moderna, Galileu foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento da ciência, com valorização da experiência e da técnica. Outro acontecimento relevante nesse período é o surgimento da imprensa.

O movimento do Renascimento, que se inicia no século XV e se estende ao século XVI, marca o início dos abalos ao dogmatismo da Igreja Católica. O homem nesse período começa a desenvolver um saber crítico que questiona a autoridade do papa e o saber aristotélico até então imposto. Tal saber pregava, por exemplo, o modelo geocêntrico.

Surge assim nesse período uma nova forma de saber, denominada saber ativo, que se contrapõem ao saber contemplativo que caracteriza a Igreja Católica. A realidade agora é observada e testada, submetida a experimentações para somente assim se firmar algum tipo de verdade. Galileu, mesmo com equipamentos rústicos, conseguiu fazer grandes avanços graças a esse saber ativo.

Tal período permite grande desenvolvimento no campo das ciências diversas, com o surgimento de importantes nomes, tais como Galileu na física e astronomia, Kepler, Newton, Torriceli, Gilbert, etc. A anatomia revelou Vesálio, Servet, Harvey e Hooke, que desvendou a estrutura celular. Já na matemática destacaram-se Fermat, Leibniz, Pascal e Descartes. Este último foi muito importante na filosofia e será estudado mais adiante.

A principal ocorrência da Idade Moderna que favoreceu o pensar filosófico é o surgimento de novas questões políticas, econômicas e cientificas. Tais questionamentos levaram o homem a ter uma forma de saber diferente, sem influência da religião, dessacralizando o cosmo. Até mesmo a moral e a política não estavam mais sob o arbítrio canônico, o que contribuiu para o aparecimento e desenvolvimento dos Estados nacionais.

Existem também outros fatores que caracterizaram o período da Idade Moderna e contribuíram para uma mudança no pensar filosófico, como a geometrização do espaço (que até então considerava a Terra como o centro do universo), a separação entre fé e razão, a passagem do feudalismo para o capitalismo e a centralização do poder em uma monarquia absolutista.

Em termos filosóficos, os maiores temas discutidos na Idade Moderna são o racionalismo e a liberdade.

Um dos principais filósofos desse período, René Descartes focou seu trabalho justamente no racionalismo. Descartes nasceu na França em 1596 e faleceu em 1650. Pertencia a uma família burguesa muito próspera.

A partir de 1619, Descartes fez inúmeras viagens pelo continente europeu, estabelecendo contato com diversos sábios e pensadores do período. Se tornou amigo de Blaise Pascau (1623-1662).

O trabalho de René Descartes era feito com muita cautela, pois seus ideais poderiam ser motivos de perseguições religiosas. Descartes afirmava, por exemplo, que para se chegar a um conhecimento verdadeiro era necessário colocar em dúvida tudo aquilo que acreditamos a respeito do tema estudado. Somente assim havia abertura para ampliar o conhecimento.

Descartes é o autor da célebre frase cogito, ergo sum, que significa “penso, logo existo”. Tal frase demonstra o princípio da filosofia cartesiana, na qual tudo provem do raciocínio, do pensamento. O termo pensamento para Descartes tem, porém, um sentido bastante amplo, abrangendo tudo aquilo que é realizado no nosso intelecto: afirmar, negar, sentir, crer, sonhar, imaginar, etc.

De tal maneira era a filosofia de Descartes que podemos dizer que ela tinha uma tendência idealista de valorizar o sujeito pensante.

Além de afirmar que o conhecimento de algo só poderia ser alcançando com o questionamento de tudo aquilo que se acredita anteriormente, Descartes também afirmava que o conhecimento de algo externo existe a partir de um raciocínio lógico interno da pessoa.

Outro aspecto importante de Descartes a ser lembrado é a importância fundamental que ele dava à matemática. Acreditava que a matemática é um instrumento para a compreensão da realidade e o plano cartesiano é derivado de seus trabalhos no campo dos números.

Na sua eminente obra O Discurso do Método, Descartes apresenta 4 regras que norteiam sua teoria de como o alcança o conhecimento verdadeiro: da evidencia, da análise, da síntese e da enumeração.

Na regra da evidência, Descartes afirmava a importância da clareza e distancia de um postulado para admissão de sua veracidade. Já na regra da análise, ele dizia que a matéria a ser analisada necessitava ser dividida em tantas partes quantas forem necessárias para que possamos alcançar a clareza necessária.

A regra da síntese determinava a ordenação dos problemas de uma matéria mais simples para a mais complexa, ditando a sua sequência de resolução. A última parte é da regra da enumeração, que determinava a finalização de um problema. Nessa finalização, o pesquisador deveria fazer verificações completas e garantir com certeza que nenhum dado a ser analisado foi omitido.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A história da educação física - parte II

A atividade física no século da luzes


A aplicação racional da educação física foi maior nos séculos XVI, XVII e XVIII, com destaque para alguns teóricos:

·         Francis Bacon (1561-1626): afirmou que a atividade física era capaz de corrigir qualquer tendência do homem para o mau. Dizia ainda que a educação física era capaz de melhorar a saúde e até curar algumas doenças.

·         Giovanni Comenio (1592-1670): sacerdote autor de Escola Materna, no qual pregava a necessidade de iniciar a educação nos primeiros anos de vida. Ressaltou a importância da atividade física na compostura hormonal, indicando ainda que devia haver um horário para educação física na escolástica.

·         John Locke (1632-1704): representante do empirismo que acreditava na relação entre educação física e psíquica. Locke acreditava que a educação física era uma atividade recreativa que ajudava no desenvolvimento mental.

·         Claude Fleury (1640-1723): foi tutor de muitos príncipes. Afirmava a importância do cuidado corpóreo no processo educativo. Entre tais cuidados ele citava a pratica de exercícios físicos, recomendando corridas, natação, esgrima, etc.

·         François Fenelon (1651-1715): foi arcebispo e preceptor. Ocupou-se da educação da mulher e da criança, afirmando que a educação domestica deveria prevalecer sobre a educação convencional.

O século das luzes


Os países europeus desenvolveram-se no século XVIII, como prova a exploração colonial, a realização de novos empreendimentos, etc. Esse período ficou marcado pela ascensão da burguesia na França e Inglaterra e do absolutismo iluminado na Áustria e Rússia.

Todas essas mudanças político-econômicas promoveram um clima de animação filosófica e cientifica, que resultara no Iluminismo. O iluminismo é uma filosofia que crê na possibilidade de melhora do homem e na busca da verdade pelo exercício racional.

O iluminismo surgiu primeiramente na Inglaterra e desenvolveu-se rapidamente na França, onde havia mais condições adequadas. Os mais ilustres iluministas são franceses, como Voltaire, Rousseau e Montesquieu.

O iluminismo se opõe fortemente a educação eclesiástica e está mais voltado em promover a personalidade do educando. Eles submeteram a crítica e revisão todas as institucionais tradicionais daquela época, como o feudalismo, absolutismo, etc.

Os iluministas afirmavam que nada no homem se encontra desde o nascimento e seus estudos são importantes pois fixam a vida em bases puramente humanas e racionais. A seguir veremos os principais filósofos do Iluminismo:

·         Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): importante figura do iluminismo, dividiu a educação em quatro estágios, sendo o primeiro de 1 a 5 anos, voltado para fortificação do corpo; o segundo de cinco a 12 anos, voltado estudo do mundo físico, o terceiro de 12 a 15 anos e voltado para a educação intelectual. O último estágio é de 15 a 20 anos, com foco na educação moral e religiosa.

·         Denis Diderot (1713-1789): contribui para a educação física e afirmou que era necessário a educação gratuita para todos sob responsabilidade do Estado.

·         Gaetano Filangieri (1752-1788): também adepto da educação para todos sob tutela do estado. Dizia ainda que todo exercício capaz de fortificar o corpo deveria ser prescrito sob forma de lei.

O Filantropismo


·         Johann Bernhard Basedow (1723-1790): pedagogo alemão responsável pela divulgação da importância da educação em seu país. Fundou uma escola na Dinamarca com largo espaço para a educação física, pregada de forma mais formativa que utilitarista.


O Filantropismo foi uma corrente de pensamento da escola de Basedow. Baseado no Iluminismo e nas ideias de Rousseau, ela coloca a razão como guia da conduta da sociedade.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Filosofia Moderna 1 - Rousseau

Os posts da seção Filosofia Moderna destinam-se a complementar os estudos sobre a matéria para estudantes do Ensino Médio e alguns cursos que tenham Filosofia Básica em sua grande curricular.

O presente artigo tem a finalidade de aprofundar os conhecimentos acerca de um dos mais importantes pensadores do período moderno. Antes de falarmos de Rousseau, porém, vamos recapitular um pouco sobre o racionalismo e o empirismo. O racionalismo, que teve René Descartes como seu maior expoente, prega que o ponto de partida conhecimento é o sujeito pensante. Já o empirismo nega tal afirmação e a existência de ideia inatas.

De acordo com o empirismo, o conhecimento depende da experiência sensível, e provem de duas fontes: a percepção do mundo exterior e o exame interno de nossa consciência.

Jean Jacques Rousseau nasceu em Genebra, Suíça, em 1712. Transferiu-se para a França em 1742, local de grande parte de suas obras, entre elas o famoso contrato social.

No contrato social, Rousseau afirma alguns preceitos para que o a população de uma nação viva com equidade e justiça. Entre esses preceitos, ele afirma que um soberano deve conduzir sua nação de acordo com a vontade geral do seu povo. Uma outra obra importante de Rousseau e que trata de tema parecido se chama O discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens.

Neste, Rousseau fala sobre a diferença entre a vida natural e a vida artificial. Para ele, a educação tanto pode ensinar valores corretos para o homem como também pode corrompe-lo. Por último, Rousseau acredita que a civilização é responsável por tornar a vida artificial, pois ela exerce pressão sobre a mente do indivíduo desde o seu nascimento.

Entre os ensinamentos de Rousseau, é constante o enfoque na educação, que tanto pode moldar o homem para o bem como para o mau. De acordo com o que acreditava, a natureza e a experiência seriam responsáveis por educar os sentidos e o comportamento, enquanto que a educação formaria a mente.

Em seu estado natural, o homem nasce livre. Dentro da sociedade, ele se acorrentado a normas, leis e valores morais. A filosofia tem a função de libertar o homem dessas correntes e trazer o homem de volta ao seu estado natural.

Rousseau desacreditava tanto na civilização que a história da humanidade não como uma evolução, mas sim como uma degeneração. Para ele a única vantagem de viver em sociedade é a possibilidade de unir as forças individuais.

Voltando na obra o contrato social, nela encontramos preceitos que garantem ao homem a liberdade, o respeito a igualdade ás normas estabelecidas. Entre tais preceitos, está a reciprocidade, que deve ser a base de uma sociedade. Também afirma a impessoalidade que deve ter as normas do contrato.
Rousseau também discute um pouco sobre os direitos naturais e os direitos civis. Para ele, o direito natural é constantemente sufocado pela artificialidade da sociedade ao longo da história.
Direito natural representa tudo aquilo que é permitido ao homem de acordo com a natureza e que em razão disso é válido em qualquer lugar.

Já o direito civil existe para regular as relações entre indivíduos que estão em situações de equilíbrio.
O direito é criado para permitir mais justiça nas relações entre as pessoas. E sua obediência somente se dá se for fundada na igualdade e respeito entre os pares.

A solidão bucólica é a causa da corrupção para Rousseau. Ele também acreditava que um Estado maior e mais eficiente terá uma população mais eficiente também.

A aplicação da lei e da justiça dependem primordialmente da participação popular. Também é com a participação popular que se evita o excesso de soberania do Estado. Finalmente, devemos saber que toda injustiça decorre da tentativa de falsear a justiça.


Poder


O poder é representado pelo direito de mandar ou agir. Também pode ser entendido como a capacidade, possibilidade ou autoridade de para fazer algo ou mandar, que impera mesmo sem a vontade de ambas as partes.

Resumindo, o poder é exercido sobre pessoas subordinadas e consiste em impor a vontade própria sobre os demais.

Poder e autoridade são conceitos diferentes e não devem ser confundidos. Enquanto o poder obriga a pessoas a agirem por dever, a autoridade influencia os outros a agirem espontaneamente.

O Estado é a organização que mais concentra poder atualmente. O poder dos Estado é dividido em três categorias: poder executivo, legislativo e judiciário.

Historicamente, o poder sempre esteve presente na humanidade, com variações ao longo do tempo. As formas de poder de antigamente são distintas das atuais.

Os agrupamentos sociais mais primitivos tinham seu poder baseado na força e na experiência. Já o poder das civilizações antigas até as atuais tem seu poder baseado na economia, ciência, religião ou família dominante.

Algumas das principais formas de poder encontradas atualmente: poder político, social, econômico e religioso. A seguir vamos estudar cada um deles detalhadamente.

O poder político é o poder do Estado. Conforme já foi dito, divide-se em três esferas e poder visar os interesses de todos ou de alguém particular que está no comando.

O poder político pode se manifestar de forma violenta, através de guerras, revoluções ou golpes de estado; ou de forma pacifica, por eleições ou plebiscitos. A forma violenta é característica de sociedade mais primitivas, atualmente há uma predominância pela democracia e sua forma pacífica de poder.

O Estado pode exercer diferentes gêneros de poder. O poder não dominante é um desses gêneros, e está presente em sociedade que não tem um estado consolidado. Por não ser coercitivo, esse poder não tem muito afirmação e rapidamente se desmancha.

O poder dominante é o mais utilizado nas nações. Caracteriza-se por ser imperativo e exclusivo, sem concorrentes. Utiliza-se de violência e é encontrado no poder político e no poder jurídico.
O poder social tem a função de controlar e conduzir as sociedades. Sua prerrogativa é de que é necessário, pois toda a sociedade pode ser comprometida com a imposição de interesses particulares sobre os interesses públicos.

O poder social só é exercido de maneira justa quando reconhece o interesse coletivo. Para Marx, o poder social atinge os resultados pretendidos quando está de acordo com as leis da sociedade.
Aliás, Karl Marx era um sociólogo alemão que publicou teorias importantes a respeito das formas de poder na sociedade.

O poder econômico se refere à capacidade de influenciar outras empresas ou nações a agirem conforme vontade própria através de especulação financeira. Está ligado a outras formas de poder, como o político.

Não é apenas o poder econômico que está ligado ao poder político. Historicamente também notamos a correlação poder e política em diversos momentos, como na Alemanha de Adolf Hitler e ou no poder religioso, como o vaticano e a igreja católica.

Através do IDH, índice de desenvolvimento econômico, é possível perceber que as nações com melhores qualidades de vida são as nações com maior poder econômico.

Empresas multinacionais são os maiores exemplos de poderio econômico. Uma empresa como o Wall Mart possui poder econômico maior que um país como o Brasil.