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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Estruturação das relações Afetivas – o Corpo em relação com o Mundo (Espaço, Objeto, O(s) Outro (s))

Desenvolvimento e complexidade na progressão das noções: intensidade-grandeza-velocidade.

Pulsão de vida – Pulsão do Movimento

Experienciamento com variabilidade de:

A. Movimentos Variados – Preferenciais:
Lentos e contínuos
Balanceados e Deslizantes
Suaves e Macios ou não
Rápidos, quebrados e descontínuos

B. Solo (objeto transacional)
Apoios
Contatos
Locomotores
Deslocamentos

C. Manipulação de objetos – dimensão essencial, espontânea e emocional (peso, texturas, volume, tamanho, forma, cor estruturas, dimensões.

D. Relação com o mundo para exploração e vivência motora: tocar, mexer, deslocar, objetos, lançá-los, pegá-los, colocar-se dentro, subir, situar-se (baixo, cima); enfim, “viver o objeto”.

E. Vivência do espaço a partir dos movimentos e objetos :criança descobre o corpo  e pelo movimento deste descobre o espaço.

Projeção Movimento leva:
Direção objetos (gesto, locomoção);
Projetar para além dos limites corporais (deslocamentos);
Permite racionalização da trajetória (análise dos parâmetros de distância, altura, direção, velocidade, volume).

A vivência do espaço favorece a projeção do indivíduo para fora de si mesmo – base fundamental de todo desejo de expressão e comunicação.

Conclusão

Neste modelo de veicular o trabalho, focalizaremos especificamente a maneira de integrar um trabalho psicomotor à psicopedagogia de DANÇA/EDUCAÇÃO. A exploração e experiência do corpo é uma tentativa de levar o educando às descobertas, vivências e oportunidades mais criativas através da relação consigo mesmo, com os outros, objetos e o mundo.

Esta visão levou-nos a uma forma de canalizar a Dança tomando principalmente por base os trabalhos de Lapierre e Aucouturrier, cujas noções fundamentais veiculadas dos contrastes e nuances permitiriam ao educando conceituar melhor o mundo e trariam um melhor equilíbrio emocional tão necessário à estruturação de sua personalidade.

A tentativa de fazer o educando vivenciar o corpo em todas as suas dimensões (em outros níveis de forma total e profunda; em outros planos, do real ao corpo vivido na realidade; do corpo simbolizado e do vivido na fantasia) com toda carga afetiva, emocional, sensório-perceptivo e todos os aspectos do corpo que são ignorados e recusados pela educação que se diz normal, levou-nos a buscar uma nova maneira de trabalhar e mudar completamente o modo de veicular a Dança;

A abrangência de profundidade do trabalho corporal com todo o seu contingente afetivo: na relação com seu próprio corpo, com o outro, com os objetos, com o mundo, levou-nos a fazer uma divisão utópica das dimensões corporais.

Desvinculamos, como meios prioritários, das concepções muito mecanicistas do corpo, muito racionais, consciente em relação ao plano intelectual, trabalhado num espaço estruturado em torno de um eixo, com seus planos e de forma sistemática, para trabalhá-lo a partir das faculdades que pertenciam ao corpo tônico, imaginário, emocional, passando pelo instrumental. A partir das noções fundamentais dos contrastes e das nuances com base nos trabalhos de Lapierre e Aucouturrier acima citados passamos a aplicar estratégias metodológicas passando pelo simbólico, imaginário, tomando a ludicidade como aporte do processo.

Neste trabalho focalizaremos especificamente a maneira de integrar um trabalho psicomotor a pedagogia da Dança/Educação tentando levar o educando a descobertas, vivências e oportunidades mais espontâneas e criativas.

O processo de desenvolvimento do educando foi observado e a base de todo o trabalho tem se assentando:
Estágios de desenvolvimento cognitivo-sensório-motor; pré-operacional, operacional concreto e operações formais (Piaget);
Níveis de evolução partindo do simples para o complexo;
Diferentes fatores socioculturais observando as interações e interferências dos atos do cotidiano;
Etapas evolutivas baseadas nas influências corticais, sub-corticais, córtice-motores, observando os princípios encéfalo-caudal e próximo distal.
Fatores psicológicos orientados pelas influências tônicas, simbólicas e fantasmáticas.

Portanto, as várias dimensões e estruturas corporais serviram de aporte ao trabalho com o corpo a partir do potencial do educando para atingir o PRA + SER – essência ontológica, arquétipo (eu busco e reencontro a minha essência, minha realidade).

A base deste trabalho em dança busca através das estruturas físicas, psíquicas, biológicas do corpo a nível organizacional do espaço-temporal, objetivar sua evolução organizacional, funcional, comportamental e relacional do SER para este ser mais realizado e feliz.

A perspectiva do trabalho é tentar polarizar abordagens teórico-práticas em Dança/Educação desvinculadas do seu enfoque unilateral e permeando as possibilidades de atuação em um corpo trabalhado, não sobre o aspecto dual, mas um corpo trabalhado de forma total, integral em relação recíproca recebendo e exercendo influências diretas uma vez que estas são forças de ação, reação, expressão e comunicação comportamentais específicas de cada cultura.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

A Educação do Movimento

Constante, Ordenado, Padronizado, Rítmico

Interligado: harmonia:
o Espacial
o Temporal

Movimento Humano

Relação da atitude interna com as formas externas transformando o símbolo de emoções (ação dramática, gesto e dança) em ações através de padrões motores coordenados e ritmados com o universo.

Finalidades
Desenvolver o vocabulário expressivo;
Estabelecer relações;
Utilizar a preparação para desenvolver estágio individual (desenvolvimento pessoal).

Objetivo
Ação motora da criança visa: prazer de viver seu corpo e com ele estabelecer relação com o mundo pelo espaço, tempo, objetos e outros através de situações espontâneas e naturais.

Vocabulário
Aquisição pelo estabelecimento das estruturas sensório-motoras.

Domínio Motor

Comportamento Humano Provoca
Crescimento (mudanças anatômicas e diferenciações estruturais – internas).
Desenvolvimento (progresso e facilidade de funcionamento);
Maturação (mudanças e facilidades de funcionamento). (Herkowits, 1984)

Crescimento, desenvolvimento
Maturação possibilita integração dos domínios do comportamento humano, pois:
Possibilita estabelecer objetivos, conteúdos, métodos de ensino coerentes;
Permite através de observação e avaliação do comportamento acompanhar mudanças;
Possibilita a interpretação do real significado do movimento permeado para ciclo de vida do ser humano.

A visão sistêmica e integrada do comportamento humano (inter-relacionada dos domínios).
Estabelece princípios:
o Totalidade (introdução-domínios)
o Especificidade (predominância de um domínio sobre outros)
Permite análise do significado real;
Favorece melhor atuação do Professor de Dança;
Possibilita eficaz aprendizado motor para o Educando.

Fatores Desencadeadores da Variabilidade da Aprendizagem Motora (fase inicial)

Situações relacionadas a estabelecer indicadores do balanço psicomotor:
Organização espacial;
Estruturação espaço-temporal;
Coordenação óculo-manual;
Conhecimento do próprio corpo:
o Esquema
o Imagem
o Ego
Corporal
Coordenação dinâmica;
Estruturação ritmo-dinâmica
Estruturação e controle corporal (equilíbrio) (Le Boulch & Wayer)

Utilização dos Contrastes pedagógicos:
Da diretividade partindo para liberdade (indiretividade);
De implicação e retirada (grupo assume autonomia real);
De segurança e insegurança (conduz à independência após proteção).

Educação Física – Parte do Esquema Adaptativo do Homem (Lazer, Trabalho e Esporte)

Corpo X Sociedade

O corpo é ao mesmo tempo instrumento de manifestação (relação meio ambiente) e ao mesmo tempo reflexo da estrutura social (contexto determina padrões).

As questões sociais vitais do prazer (sexualidade) energia (agressividade, alegria lúdico) fazem parte da essência do homem e são fomentadas pela sociedade através de valores racionalizados.

Os movimentos retirados das práticas racionais ondes estes fenômenos ocorrem em função de facilitar a possibilidade de comunicação com o mundo exterior:
O corpo age-interfere nos padrões de relações sociais;
O corpo percebe influências da sociedade:
o Herança cultural
o Evolução filogenética
o Arquétipos
Habilidade e criatividade do indivíduo

Portanto, a Atividade Física está ligada:
Ao contexto evolucionário;
A relação de dependência entre passado e presente (estudo da habilidade e padrões motores);
Conceito de Plasticidade e Adaptabilidade do homem;
Observação dos aspectos étnicos.

Aspectos evolucionários relevantes
Aquisição da postura vertical;
Percepção do mundo na linha horizontal (olhos);
A Locomoção Bípede (percepção, habilidade motora);
Interação sinérgica da evolução cultural e biológica (lupedismo);
Preensão seletiva (destreza manual, atitude social, cultura).

Hipótese biológica das atividades físicas (método Dedutivo):
Sobrevivência da espécie (meio agressivo) informações das células germinativas (DNA);
Prazer, satisfação pela atividade física (centro do prazer-hipotálamo);
Controle do SNC no corpo aquoso do fluxo de estímulos e reações (pensamento, sonho, criatividade) – músculo 40% do corpo.

Dimensão Pedagógica da Educação do Movimento

Abrir progressivamente a dimensão vertical através da descoberta e criatividade em situações estruturais de liberdade e espontaneidade onde a criança:

Descobre, utiliza e orienta suas potencialidades e possibilidades individuais relacionadas às coisas;
Parte do estado de dependência que se liberta encontrando a evolução de seu próprio desejo: Pulsão de Vida.

Parâmetros das Dimensões Estruturais
Princípio – corpo em relação com objetos (mundo);
Pele-limites-Espaço-Tempo: objetos (transicionais);
Pele-Espaço contido (lugar dos acontecimentos):
o EU – Interior
o Objeto X Exterior
        Ex.: Fantasia = Espaço “Dentro da Cabeça”
Limites – Fechamento do Espaço – Limites Próprios
o Individualidade;
o Socialização;
o Propriedade.
Espaço-limites entre o EU e os OBJETOS (vertical-horizontal-profundidade)
Tempo-limite do Espaço entre EU e os OBJETOS
Objeto Transicional-Estruturação
o Para limites da pele perceber o espaço;
o Para Espaço perceber os limites;
o Para limites perceber o outro;
o Para percepção do outro usa (objeto transicional) para perceber-se:
        Ex.: chupeta, bruxinha, professora primária/profissão ideal.

Parâmetros das percepções corporais

O esquema corporal
Origem termo – Henry Head, 1911.
Estrutura-sensório-motora (córtex organização do sistema nervoso);
Percepção
o Diagrama
o Mapa

(Desenvolvimento conforme experiências)
o Todo ou Partes
Orientação - coordenação

Consciência Corporal
Estrutura perceptiva-motor (conceituação, cognição);
Componentes:
o Internos
Atenção Visual
Dimensão espaciais    | Lateralidade
Dominância-lateral            | Esquerda-direita
Identificação espaço/temporal
o Externas
Imitação
Direcionalidade
Orientação espaço/temporal

Imagem corporal
Conceito: Introdução (L’Hermite)
o Dimensionou à noção (Schilder, 1935);
o Aprofundamento da noção (Head) esquema corporal, modelo postural, vida afetiva, relação corpo sob emoção modifica valor e modelo postural através do valor relativo;
o Escola Kleiniana imagem corporal em relação aos fantasmas primitivos leva a esboço imaginário (imagem libidinais);
o Concepção Lacaniana – “Imagem em espelho” (perspectiva da teoria, M. Klein).

Esquema Corporal X Imagem Corporal
Reflexos da Realidade Objetiva suporte para representação mental-estrutural da Imagem Real;
O tipo “Alucinatório” ou Fantasmas relação com a parte substantiva (Delírio). (Le Boulch, 1983)

Ego corporal (imagem Interna)
Percepção do corpo com:
o Qualidade
      o Fraco
      o Forte
o Características
      o Magro
      o gordo

Aplicabilidade à Educação do Movimento
O corpo percebido corresponderia à organização do esquema corporal possibilitada pela consciência corporal que efetivaria conquista do equilíbrio adquirido pelas experiências.

O corpo vivido experimentado a nível de identificação (primeira imagem) como seu próprio EU. Uma coisa estaria ligada a outra não existindo, portanto, o corpo físico e outro ESPIRITUAL-METAFÍSICA. (Lapierre & Aucouturie, 1966)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Aportes Filosóficos e Psicológicos que Respaldaram as Concepções

Neste modo de veicular o trabalho, focalizaremos especificamente a maneira de integrar um trabalho psicomotor à psicopedagogia da Dança-Educação. A exploração e o experienciamento do Corpo, é uma tentativa de levar o educando às descobertas, vivências e oportunidades mais criativas através da relação consigo mesmo, com os outros, objetos e o mundo. Esta visão nos conduz a uma forma de canalizar a Dança veiculada através de movimentos espontâneos, naturais, os quais possibilitarão ao educando conceituar melhor o mundo e traria um melhor equilíbrio emocional, tão necessário à estruturação de sua personalidade.

A epistemologia tem como primeira preocupação garantir um conhecimento objetivo e seguro do corpo humano divorciado dos conceitos metafísicos e baseados em situações concretas dos corpos através de uma observação direta. A corporeidade, dentro desta filosofia é tomada como algo concreto, pois se baseia na espacialidade e temporalidade do corpo enquanto organismo vivo. A reflexão filosófica se respalda então a partir das descobertas das ciências experimentais com recursos necessários para explicar o fenômeno de corporeidade como fenômeno vivo.

Este tipo de reflexão filosófica, portanto, se obriga a partir de descobertas através das ciências experimentais. Entretanto, esta não tem recursos para explicar o fenômeno da corporeidade como um fenômeno vivo, tarefas assumidas pela biologia, anatomia, fisiologia e genética, o que traz como consequência o questionar das consequências que estas implicações cientificas acarretam para a compreensão da existência humana.

Para reiterar o exposto acima, cientistas, fisiologistas e filósofos vitalícios como Muller, Jacob, Monod, Kuhn Eizen citados por Santin (1989) defendem a ideia da evolução contínua dos seres vivos e o homem se incluem nesta evolução.

Resumindo, Satin comenta: ... “a partir dos filósofos vitalícios, podemos concluir que a corporeidade não é uma realidade dada, mas um processo franco e contínuo do processo de reorganização seguindo os passos das mutações e das transformações da dinâmica evolucionista”.

A tentativa de fazer o educando vivenciar o corpo em todas as suas dimensões, em outros níveis de forma total e profunda; em outros planos, no real ao corpo vivido na realidade, do corpo simbólico, vivido da fantasia, com toda carga efetiva, emocional, sensório-perceptivo e todos os aspectos do corpo que são ignorados e recusados pela educação que se diz normal, levou-nos a buscar uma nova maneira de trabalhar e mudar completamente o modo de veicular a Dança na Educação.

A abrangência e profundidade do trabalho corporal com todo o seu contingente afetivo na relação com seu próprio corpo, com o outro, com os objetos, com o mundo, levou-nos a fazer uma divisão utópica das dimensões corporais.

Na filosofia fenomenológica de Ponty o corpo seria um organismo em construção, pois, “seu corpo é como um sujeito natural, como um esboço provisório do meu ser total”.

Este aspecto filosófico nos permitiu fazer o viés de nosso trabalho: A DANÇA e a ESTRUTURAÇÃO das Dimensões Corporais e suas relações afetivas – uma proposta para a DANÇA/EDUCAÇÃO.

Neste enfoque colocamos a corporeidade como algo não definido, não pronto, mas sempre um esboço provisório de ser total; é um processo de construção que acontece ao longo de existência.

As construções elaboradas partem do enfoque psicológico da estruturação que flui do interior do corpo ao estabelecer suas dimensões corporais biomecânicas para depois partir para uma existência corpórea contextualizada, isto é, situado no tempo e espaço exterior. A estruturação das dimensões corporais parte do interior para o exterior, portanto, a essência do corpo se despende da existência ao longo da sua construção.

A experiência em Dança através deste tipo de Educação Psicomotora tem mostrado que as estruturas biofísicas, se espontâneas, em gestos e atitudes corporais vem explicitar o que se está passando com o educando através de mudança de posição do corpo mostrado pela contração e expansão do mesmo o que determina uma:
Função do contexto-adaptação;
Função de circunstância-defesa;
Função de inter-relação-expressão.

A função de defesa leva-nos a ver que frequentemente as racionalizações conscientes do discurso corporal tolhem a sua significação. Pela análise do discurso corporal, o educador pode analisar o “eu” corporal – local simbólico de elaboração, pois o sujeito se permite elaborar quando ele está se exprimindo através da linguagem corporal, projeções não ditas de sua vivência, a nível de comunicação. Nesta comunicação, ele se exaure através do corpo real e do corpo imaginário a alguém em trocas simultâneas no tempo e espaço através da expressão de emoção (sintomas externos) e da emoção externada (sintomas internos). O diálogo corporal, portanto, é atitude de projeção sustentada desde o olhar sutil ao gesto, às atitudes no espaço projetando o que tem de si, consciente ou inconsciente através do corpo. Uma postura corporal já é respaldo à globalização contida no contexto; é, portanto, a comunicação, ato de relação, de reviver.

A adaptação seria a assimilação e a acomodação das experiências que o educando captou de experiências vividas, a partir da ação do indivíduo sobre o meio e vice-versa. É a relação sujeito-ambiente modificando suas reações mediante as limitações que este exerce sobre o mesmo, ou seja, modificando suas atitudes de acordo com os limites que o meio impõe.

Neste trabalho focalizaremos especificamente a maneira de integrar um trabalho psicomotor e pedagogia da Dança/Educação tentando levar à criança a descobertas, vivências e oportunidades mais espontâneas e criativas.

Portanto, as várias dimensões e estruturas corporais serviram de aporte ao trabalho com o corpo a partir do potencial do educando para atingir o PRA-SER – essência antológica, arquétipo (eu busco e reencontro a minha essência, minha realidade).

Sob o enfoque ontológico a corporeidade vista por este prisma busca como objetivo específico defini-la em essência de um ser corpóreo que em similaridade possa espelhar todos os corpos particulares. A natureza e essência dos corpos significa exatamente aquilo que o corpo se constitui como tal. A ideia abstrata do corpo nos permite atribuir significado ontológico da corporeidade. É sob este enfoque que se pode estabelecer uma ponte ao estudo metafísico da corporeidade (a antologia, parte da metafísica) se aplica ao estudo do ser enquanto “ente” independentemente de suas determinações particulares.

A base deste trabalho em Dança busca através das estruturas físicas, psíquicas, biológicas do corpo a nível organizacional do espaço-temporal, objetivar sua evolução organizacional, funcional, comportamental e relacional do SER, pelo PRA-SER para ser mais realizado e feliz.

A perspectiva do trabalho é tentar polarizar as abordagens teórico-práticas em Dança/Educação desvinculadas do seu enfoque unilateral e permeando as possibilidades de atuação em um corpo trabalhado de forma total, integral em relação a reação direta do ser inserido no contexto sociocultural: uma relação recíproca recebendo e exercendo influências diretas uma vez que estas são formas de ação, reação, expressão e comunicação comportamentais específicas de cada cultura.

sábado, 8 de dezembro de 2018

A Classificação Motora de Flinchum

A seguir apresentamos toda a classificação motora elaborada por Flinchum, acompanhada de atividades relacionadas à Dança que podem ser aplicadas nas salas de aula.

Movimentos reflexos



Para Flinchum, os Movimentos reflexos decorrentes das ações reflexas são movimentos involuntários e elemento fundamental no desenvolvimento motor. Isto porque o amadurecimento neuromuscular e desenvolvimento postural são aporte para os estágios básicos que precedem a ação motora de andar e dos outros.

Os movimentos reflexos que precedem os movimentos básicos são reflexos posturais, segmentares, de preensão e inter-segmentares e super-segmentares externados pelas atividades comportamentais de flexão, extensão, alongamento e ajustamento postural.

Atividades aplicadas à Dança:

  • Estender e hiperestender o corpo em vários níveis e direções em diferentes bases de apoio;
  •  Curvar e torcer-se em local restrito.
  • Andar sobre linhas, figuras geométricas em diferentes alturas;
  • Deslocar-se para longe ou perto dos elementos de um elemento, ou do grupo;
  • Transportar objetos de diferentes pesos e tamanhos na cabeça deslocando em direções e sentidos espaciais;
  • Tocar instrumentos dentro dos ritmos estabelecidos.

Movimentos básicos



Os movimentos básicos e fundamentais estão relacionados aos padrões motores básicos de:

  • Locomoção – andar, correr, saltar, saltitar, deslizar, quadrupedar, trepar, rolar.
  • Não locomotores – empurrar, puxar, balançar, girar, agachar, esticar, inclinar-se, contorcer-se.
  • Manipuladores – manipular, manusear, tocar, sustentar, movimentos de preensão dos dedos.

      Consciência Corporal e Movimentos não Locomotores Manipuladores


       Usar movimentos globais na experiência bilaterais para exploração da simetria bilateral com máxima eficiência no movimento em ambos os lados; movimento de dimensões variadas nas formas.

Atividades aplicadas à Dança:

  • Traçar figuras geométricas com o corpo;
  • Recortar de gravuras de parte específica do corpo e executar movimentos de dança com os mesmos;
  • Fazer experiências com partes do corpo em frente a um espelho;
  • “Espelhinho”: repetir os movimentos do colega à sua frente;
  • “Cabra-cega” – tocar as partes nomeadas do corpo pelo professor e executar dentro do ritmo, possíveis movimentos com elas;
  • Usar parte do corpo no ambiente circundante em ritmos variados;
  •  “Balão de gás” – usá-los tocando as partes do corpo com ele;
  • Quebra cabeça – armá-lo à medida que executa movimento com a parte do corpo a ser encaixada.
Estes exercícios darão a criança a dimensão da forma corporal.

Consciência Espaço-Temporal e Movimentos Locomotores



Organizar percurso que indicam principalmente os exercícios de deslocamento e locomotores que facilitam às crianças mover-se entre si, transportá-los em vários ritmos, direções e sentidos pela modificação da velocidade, níveis de altura.

Atividades aplicadas à Dança:

  • Atividades que estimulem e que possibilitem: encolher (ficar pequena), estender-se (ficar maior), deslocar-se de uma direção para outra pelo caminho mais longo ou mais curto;
  •  Dirigir-se a um local apontado pelo dedo em várias velocidades;
  • Situar-se no espaço para frente e para trás, pela direita e esquerda em ritmos variados;
  •  Criar combinações destas atividades variando o ritmo e a dinâmica;
  • Andar, correr, saltitar, saltar para frente, para trás, para a direita, para a esquerda em velocidades diferentes e ritmos variados;
  • Associar as atividades anteriores do ritmo individual ou dos elementos do grupo em sintonias variadas.

Movimento Perceptivo-Motor



Estes níveis têm origem no estágio anterior e acrescenta uma outra dimensão – a percepção – que antecede à resposta motora. A criança recebe a informação sensorial aferente e a interpreta antes de responder o movimento. A nível de cognição excelente, passa para a aprendizagem simbólica e conceitual.

Atividades aplicadas à Dança:

  • Atividades de imitação e representação simbólica favorecendo o estágio de desenvolvimento neste nível de aprendizagem;
  • Imitar o deslocamento de animais bípedes e quadrúpedes;
  • Andar, correr, saltar, saltitar, etc. ao som das vozes de animais;
  • Imitar locomoções de animais em velocidades naturais dos mesmos ou criadas artificialmente;
  • Simbolizar com o corpo características de vários animais;
  • Usar atividades do seu cotidiano em expressões dançadas;
  • Comunicar-se em gestos utilitários com velocidades e ritmos diferentes.

Habilidades Físicas



Neste nível de aprendizagem as execuções dos movimentos se processam de forma especializada e em complexidade crescente. São elementos que estabelecem desempenho mais adequado ou estabelecem distinção entre os desempenhos das crianças.

Atividades Aplicadas à Dança:

A classificação motora neste nível já facilita a uma discriminação e naturalidade dos movimentos das habilidades de velocidade, destreza, equilíbrio estático e dinâmico, consciência das partes segmentares dos membros e sua situação espaço-temporal; maior consciência corporal em relação ao espaço, ao outro, ao ambiente.

Usar atividades nas posições básicas em velocidades, ritmos variados e alternâncias da dinâmica:

  • A formação corporal poderá ser intensificada através da exploração das valências físicas de força.
  • A aplicação das famílias da Dança poderá ser executada de forma associada e com certo grau de complexidade;
  • A exploração das bases de sustentação puras ou combinadas usando exercícios em dinâmicas variadas, combinadas.

Movimentos Especializados



Os movimentos especializados dependem do grau de habilidades físicas para que sejam eficientes em nível de exercício de precisão.

Neste nível de aprendizagem já é possível combinar a ação complexa ou formas motoras com alto grau de eficiência dos movimentos pois, incorpora fatores relativos ao desenvolvimento motor previamente aprendidos.

Flinchum classifica neste nível as habilidades aplicadas à execução técnica e performance de Dança.

Atividades aplicadas à Dança:

Neste domínio dos movimentos especializados as atividades podem pretender atingir alto nível de desenvolvimento técnico com naturalidades e continuidades de formas complexas; a associação da qualidade e quantidade já serão atendidas quando solicitadas.

  • Exercícios com alto grau de elasticidade, força muscular, etc., em ritmos variados e alternados;
  • Maior capacidade de executar os elementos técnicos da dança solicitados individualmente ou combinados;
  • Aplicação das bases de performance e em graus de complexidade crescente.

Movimentos Criativos



Os movimentos criativos compreendem a comunicação não verbal através de movimentos expressivos e interpretativos.

Movimentos Expressivos


Os movimentos expressivos compreendem a comunicação através dos movimentos corporais desde as expressões faciais, gestuais até as coreografias mais complexas e especialização em comunicação corporal através de:

  • Associação de movimentos;
  • Combinações de movimentos.
O conteúdo formal da Dança é usado em função da expressão dos enredos e temas coreográficos que os alunos trabalham usando a originalidade, a imaginação, a improvisação, através do processo criativo.

Movimentos interpretativos



Os movimentos interpretativos são planejados a partir de estímulos ambientais (concretos) da natureza em geral ou podem ter origem em conteúdos simbólicos (abstratos).
Nestes níveis de evolução da aprendizagem os movimentos criativos podem ser motivados em associação com outras formas de linguagens artísticas como o desenho, artes plásticas, cênicas e música.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

A Compreensão do Domínio Psicomotor na Dança


A compreensão do domínio psicomotor para professores que utilizam a Dança/Educação nas escolas de 1º grau é sempre um sólido e forte referencial para a formulação do planejamento de Dança que são próprias nesse domínio.

O referencial das sequências e continuidade do desenvolvimento motor é efetivo auxílio à compreensão dos elementos dos movimentos a serem utilizados na classificação motora e os estágios da aprendizagem.

Há muitas classificações do domínio psicomotor disponíveis para referências na área do desenvolvimento infantil como Simpson, Corbin e Harrow. Ficamos, entretanto, com Harrow citado por Finchun 1981, por considerarmos como este os meios e categorias mais coerentes com a análise das Variáveis Neuro Fisiológicas já abordadas e em relação as sequências do desenvolvimento motor de Tani 1988. Flinchun, 1981 que mostra uma sequência hierárquica tendo como ponto de partida o desenvolvimento dos movimentos fundamentais básicos a partir dos movimentos reflexos até os níveis de comunicação não verbais (que se aplica especificamente à Dança) através do “Continuum” da Taxinomia dos objetivos do Domínio Psicomotor de Harrow.

Experiências Motoras Aplicadas à Criança de 2 a 6 anos

Flinchun (1981) refere-se a esta classificação psicomotora em relação ao movimento voluntário aplicada aos níveis de desenvolvimento observados em crianças de 2 a 6 anos.

A autora estabelece como elemento fundamental no desenvolvimento motor as ações reflexas (involuntárias) dos movimentos reflexos para estruturar os outros níveis: movimentos básicos, movimentos perceptivos-motor, habilidades físicas, movimentos especializados até o movimento criativo.

Os níveis de Aprendizagem do quadro 1 do autor nos dará uma visão mais dimensionada do assunto em tela.



Classificação motora
Imitação
Manipulação
Conceituação
Discriminação
Naturalidade
Movimentos reflexivos





Movimentos fundamentais básicos
X
X


X
Atividades perceptivas
X
X


X
Mobilidades físicas



X
X
Movimentos especializados
X

X
X
X
Movimentos não verbais


X
X
X
Quadro 2. Níveis de Aprendizagem e Domínio Psicomotor Flinchum, 1981:42

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O desenvolvimento de padrões Motores da Educação do Movimento em Dança/Educação


Padrões básicos – princípios, necessidades.

O desenvolvimento dos padrões básicos deve ser desenvolvido naturalmente através de estímulos, desafios e motivações extrínsecas do professor pelo encorajamento e atividades prazerosas. Outro aspecto importante na orientação pedagógica do dança-educador é a observação dos aspectos intrínsecos do ser humano: ludicidade, agressividade e sexualidade incluindo também a transcendência.

Estágios e progressões a níveis são princípios necessários e deverão ser observados, pois ainda servirão de orientação à toda a ação pedagógica.

Os estágios devem partir da orientação, da amplitude e intensidade, duração e inter-relação da ação motora. Estes elementos e mais a observação do padrão de movimento desencadearão a conscientização do corpo (das partes, lados, frente, costas); conscientização espaço (consciência do corpo em relação aos objetos, pessoas, direção, sentido); conscientização da força (consciência do esforço dos movimentos, rápidos, lentos, suaves, rígidos, diluídos, etc.); a conscientização de inter-relacionamento (consciência do corpo em equilíbrio dinâmico, situações e encadeamento das sequências de movimento); a conscientização do tempo e suas dimensões.

A nível hierárquico do estabelecimento da execução do movimento constituem as progressões pedagógicas da ação motora estabelecidas em um programa de Dança/Educação.

As atividades devem ser naturais, abrangendo as diversas famílias (andar, correr, saltar, saltitar, equilibrar, rodopiar, girar, rolar, trepar, pendurar, puxar, empurrar, deslizar, rastejar, galopar e lançar). 

As ações motoras deverão partir do simples para o complexo; das ações espontâneas para as construídas (movimentos técnicos); do grau de intensidades menores para as intensidades maiores em relação à dinâmica do movimento; de um número de vezes (de repetições das ações) ideal para o aumento gradativo das mesmas; de um tempo de duração curto, para o mais prolongado; de um ritmo mais relentado para o mais rápido em relação ao tempo das sequências do movimento do peso total, parte ou partes do corpo; das direções e sentidos do movimento em relação ao espaço físico e da força como qualidade do uso da força muscular.

Os níveis de movimento são estabelecidos em relação à taxionomia do domínio psicomotor (níveis, a subcategorias) assim estabelecidos por Flinchum (1981, Proença, 1989).


 A compreensão do Domínio Psicomotor

Quadro 1 – Taxionomia do Domínio Psicomotor: Níveis e Subcategorias  - Flinchum, Desenvolvimento Motor da Criança, 1981
Contínuo da Taxionomia
Níveis
Definições
Atividade Comportamental
1.10 Segmentar
1.20 Intersegmental
1.30 Supra-segmentar
1.0 Movimentos Reflexos
Ações produzidas em volição consciente, em resposta a um estímulo
Flexão, extensão, alongamento, ajustamento postural
2.10 Locomotor
2.20 Não locomotor
2.30 Manipulador
2.20 Movimentos básicos e fundamentais
Requisitos: nível 1.00
Formas de Movimentos inatos formados a partir de uma combinação de movimentos reflexos e básicos de movimentos especializados complexos
2.10 Andar, correr, saltar, saltitar, deslizar com um só pé, rolar, trepar.
2.20 Empurrar, puxar, balançar, girar, agachar, esticar, inclinar, contorcer-se.
3.10 Discriminação cinestésica
5.20 Discriminação visual
5.30 Discriminação auditiva
5.60 Habilidades coordenadas
3.00 Habilidades perceptivas
Requisitos: nível 1.00 a 2.00
Interpretação de estímulos das várias modalidades que proporcionam dados para a criança adaptar-se ao seu meio ambiente
Os resultados das habilidades perceptivas são observáveis em todo movimento voluntário. Exemplos: Auditivo: seguir instruções verbais
Visual: segurar uma bola em movimento.
Cinestésico: ajustar o corpo na posição vertical para manter o equilíbrio
Tátil – determinação da textura através do tato
Coordenação: pular corda, chutar a bola no ar

4.10 Resistência


4.20 Força



4.30 Flexibilidade





4.40 Agilidade
4.00 Habilidades físicas ou qualidades físicas
Características funcionais de vigor orgânico essenciais para o desenvolvimento das destrezas e movimentos altamente especializados
Todas as atividades que exigem esforço árduo por longos períodos de tempo.
Todas as atividades que exigem esforço muscular. Exemplos: levantamento de peso, luta corpo a corpo
Todas as atividades que exigem grande movimento dos quadris. Exemplos: dar pontapés, hiperextensão da coluna, exercícios de ginásticas rítmicas, balé.
Todas as atividades que exigem movimentos rápidos e precisos. Exemplos: correr em velocidade com esquivas, escrever a máquina, livrar-se de boladas.
5.10 habilidades adaptativas simples
5.20 habilidades adaptativas compostas
5.30 habilidades adaptativas complexas
5.00 movimentos especializados
Um grau de eficiência para o desempenho de exercícios motores complexos, baseados nos movimentos fundamentais e básicos
Todas as atividades especializadas formadas a partir de formas motoras locomotoras e manipulativas inatas do nível de classificação 2.00
estas atividades nítidas nos desportos recreativos, dança e áreas artísticas que envolvem movimentos finos.
6.10 movimentos expressivos
6.20 movimentos interpretativos
6.00 comunicação não verbal
Comunicação através dos movimentos corporais desde as expressões faciais até as coreografias sofisticadas
Postura, gesto, expressões faciais, todos os movimentos de dança, ginástica rítmica e coreografias especializadas executadas eficientemente.