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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

O Folclore e as "Projeções Folclóricas"

O folclore tem sido utilizado nas danças eruditas, clássicas e modernas de várias formas, à semelhança do que ocorre nas outras artes.

É importante salientar que pelo fato de ser organizado dentro de uma orientação erudita e com o objetivo primordial de dar espetáculos, estes grupos não são considerados folclóricos. O aproveitamento da expressão cultural do folclore nas danças ou em outras artes sob inspiração de temas folclóricos são projeções folclóricas. Nesta conotação sob espetáculos didáticos escolares temos como exemplos mais frequentes as danças típicas como frevo, capoeira e outras, ou então exploradas para exibições como o “Scala” e a “Plataforma” no Rio de Janeiro ou como no “Oba Oba” que se espalharam como os Sargentelli por vários locais do Brasil cuja projeção mais frequente incide em cima do Samba.

Faz-se notar que de maneira geral, os grupos que exibem danças folclóricas incidem com frequência em anos de interpretação, devido ao objetivo frequentemente voltado para a exibição e show. Outro erro de reinterpretação e projeção folclórica é o de designar os grupos como “Ballet Folclóricos”, como por exemplo temos o conjunto de Danças da Guiné conhecido como Ballet Africano ou outro Ballet Nacional do Senegal pelo simples fato de serem organizados dentro de uma orientação erudita e com o objetivo primordial de dar espetáculos. Entretanto, segundo seus organizadores, as próprias danças vigorosas como o caso da Guiné, Ucrânia, Cáucaso, Capoeira (no Brasil) por si só já poderiam ser uma preparação corporal dos dançarinos. Segundo De Moraes (1974) o povo quando dança ou promove seus folguedos, o faz à sua maneira com uma aprendizagem peculiar e principalmente por razões diferentes daquelas que motivam os conjuntos amadores e profissionais. Assim, no Brasil, os folguedos populares geralmente aparecem nas festas religiosas e datas santificadas, mostrando que a devoção vem antes do divertimento ou do objetivo de exibição.

No Brasil, os grupos de organização de forma permanente e realizando esse tipo de aproveitamento são poucos ao considerar o nosso país rico em música, ritmos, variedade de riqueza de movimentos. Em São Paulo, nasceu por volta de 1960 o “Conjunto Folclórico Malungo” dirigido pelo próprio De Moraes e Maria Luíza e Viva Bahia e Olodumaré, conjuntos folclóricos da Bahia e ainda o grupo da bailarina afros da professora Mercedes Batista no Rio.

Na dança erudita temáticas como o “Uirapuru” de Villa Lobos, “Variações sobre o tema Nordestino” (Coco-música e dança nordestina), o Ballet “Yara” de Francisco Mignone, Suíte Sinfônica n° 1 de Guerra Peixe, foram Ballets consagrados, sem fazer alusão aos Sambas, Batuques, Bumba-meu-Boi, Maracatu, Capoeira e Frevo, ricamente foram coreografados para Teatro, Cinema e Televisão.

A projeção do folclore nas danças antigas é recomendável na medida que atenda aos objetivos educacionais e sociopolíticos com conotações positivas e na medida que sejam resguardadas o mínimo de exigência de sua fidedignidade e autenticidade com elementos pertencentes a uma cultura a ser resgatada, mas, também preservada.

O folclore não se hierarquiza em classes e elites. Sua maturidade no sentido vertical e horizontal é da maior importância para o desenvolvimento de dados, processos dinâmicos e como consequência disto decorre o resultado de relações constantes e necessárias entre todos os membros da sociedade. A riqueza das nossas danças resultou consequentemente deste fenômeno. Elas possuem características regionais pois, dependem das influências étnicas que se fizeram sentir mais fortes ou mais brandas em determinados lugares.

Para maior entendimento ressaltamos o seguinte: os aspectos indígenas se fazem sentir com maior intensidade nos estados do Amazonas e Pará; o africano na Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro e o europeu no Sul do país.

O fato folclórico é um componente vital e rico manancial sociocultural do povo brasileiro pois constitui a maneira de sentir, pensar e agir do mesmo preservadas pela tradição popular e pela mutação e transculturação, principalmente as danças em suas formas originais sem influência direta do oficial ou do erudito.

Sendo a Dança a marca cultural de um grupo, o povo que não cultiva parte de suas raízes - dança folclórica, pede parte de sua identidade.

A inclusão dos elementos de cultura regional ou local em um programa de Dança/Educação com a implementação de fatos históricos que exclui permissão da cultura dominante permitirá a participação mais ativa e dinâmica na aula de dança, descoberta de possibilidades de formas e movimentos pela percepção dos componentes de seu corpo social e cultural onde as características individuais e da coletividade se fazem evidentes e consequentemente veicula o engajamento no comprometimento social como consequência da ação conscientizadora e emancipação da dança contextualizada.

A Dança contextualizada, com suas características peculiares e originais, canalizam qualidades íntimas de animação e grande dose de criatividade poderá carrear valores filosóficos socioculturais e estéticos ao engajar na realidade do quotidiano, o generalizar ideias e tendências e concepções; permitirá desenvolver vocabulários formal próprio e assimilar o caráter regional.

Um programa de Dança/Educação ao incluir dentro os seus objetivos e finalização fatos folclóricos com elementos imprevisíveis e qualitativos no âmago de uma essência, deverá voltar-se para a tentativa de ampliar a capacidade de pensar, refletir, sentir e agir artisticamente através do conhecimento dos elementos folclóricos como Arte e Educação e, portanto, com objetivos significativos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

O que são Danças Folclóricas

Generalizações

As danças Folclóricas são:

Expressões abertas de emoções, ideias, significado especial;

Representações de usos, costumes, acontecimentos que constituíram o tempo estrutural e conjuntural em parte da história de um povo;

Padrões, costumes, maneiras e atividades espontâneas e naturais da vida e experiências significativas de um povo, perpetuadas de geração em geração, da mesma maneira resguardando assim, sua tradicionalidade;

Passos básicos, configurações espaciais, ritmos próprios, termos e idiomas;

Gestos e passos ou atividades características, conotações peculiares de um povo como bater de palmas e pés, valsas e sarandeio;

Formas – passar de geração em geração de maneira rígida, as tradições e costumes;

Fixas em suas características elementares, porém podem apresentar variações de província em província e sofre influências também na linguagem verbal;

Divulgação de conhecimento (história, sociologia, antropologia, músicas, aspectos pictóricos, conotações corporais;

Sentido lúdico utilitário, graça e atributos, diferentes papeis da vida social.

Danças folclóricas foram embasadas entre brasileiros nativos e grupos étnicos radicados no Brasil (portugueses, africanos, holandeses, franceses, colonos, italianos, alemães, austríacos, poloneses, finlandeses, russos, suecos, japoneses e outros) que com sua bagagem de tradição e cultura trouxeram vasta e valorosa contribuição.

Danças Populares

As danças folclóricas resguardam características essencialmente fixa. São danças naturais que resguardam tradicionalismo e determinados costumes de um povo. Elas resguardam uma evolução natural e espontânea do conjunto de atividades diárias, o desenvolvimento de experiências dos povos perpetuadas da geração a geração. Possuem aspectos diversos e estabelecem as diferenças e variações musicais de região para região.

As Danças Folclóricas são criações efetuadas pela repetição das configurações de esforço coletivo incitados por diversos motivos (deuses – padrões éticos e morais, manifestações políticas e sociais) manifestadas através do movimento rítmico.

Danças Nacionais

São as tradicionais de determinado país que tornaram mais populares, mais praticadas e tem efetivamente diferenças em suas origens, usos, costumes e idiomas. Estas danças geralmente decorrem de adaptações as condições climáticas (geográficas) emocionais ou as tradições (incidências e permanências) e têm em seu tempo estrutural e conjuntural seus aspectos mais relevantes.

Ex.: samba, czardas, cossacos, square dance, tarantela e valsas.

Danças Regionais

As Danças Regionais são as mais praticadas e dançadas em uma região de um país.

Ex.: trevo – Nordeste; samba – Rio e São Paulo.

Danças Características

As Danças características (ou típicas) são as criadas para indivíduos em especial ou grupo de indivíduos que incluem adição de passos, musicas, coreografia já existentes. São características da determinada região ou país.

As danças características ou típicas deixam transparecer em seu sentir, pensar, agir a riqueza polirrítmica e polifórmica do povo e suas raízes ao estabelecer relação de identidade da dança com a própria cultura.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

As Danças Folclóricas na Dança/Educação

O homem primitivo, em épocas remotas, ao ensinar suas crianças e ao introduzir o jovem ao esforço humanitário, institui convenções das várias formas de ordem política e econômica na sociedade humana. Estas características que surgiam das percepções do esforço foram traduzidas em formas de comunicação e expressão e dentre estas formas surgiram suas danças religiosas e nacionais (folclóricas).

As Danças Regionais e/ou as Nacionais são características das comunidades definidas pela repetição das configurações do esforço definido (causa) cultivados pelos grupos sociais em seu meio ambiente e trazem como consequência (efeitos) a expressão de seu viver ao orientar-se no labirinto de seus impulsos vitais.

A Dança Folclórica nada mais é do que o efeito das consequências destes impulsos gerados por esforços definidos e causados pelos aspectos funcionais do sentir, pensar e agir de uma comunidade.

Através dos tempos, com as mudanças culturais sofridas pelas comunidades, a dança vai também acompanhando o processo evolutivo, adaptando-se, às vezes, espontaneamente como uma aquisição do próprio homem, outras vezes quase que impostas por culturas dominadoras. Assim, a dança se modifica muitas vezes, torna-se algo totalmente importado dentre os aspectos e características diversas.

No Brasil, a “miscigenação” é o forte fator para a profusão de ritmos e danças em decorrência das características étnicas o que geram uma diversidade dentre os aspectos e características diversas.

Desde os primeiros contatos dos europeus com indígenas brasileiros, o processo de aculturação e transculturação se iniciou. Os europeus vieram para dominar a terra descoberta e nela implantar o seu modelo de cultura. Os índios que aqui viviam portavam cultura diferente. Nem sempre o colonizador respeitou essas novas formas de vida. Dos valores culturais o que teve maior significação para o colonizador foi a língua: graças ao artifício dos missionários obteve-se um produto híbrido acessível a quase todos os grupos - chamada “língua geral”. Além disso persistiram práticas mágicas, produtos culinários, implementos de caça e pesca, meios de transporte, flora medicinal e os aspectos ritualísticos onde a dança era a parte importante.

As danças indígenas, que guardam o seu aspecto espontâneo e a essência primitiva, são representações pantomímicas, tradições místicas e representativas de comunidades inteiras ou grupos especiais.

A dança era primordialmente funcional. O índio ama seus rituais. Sua vida gira em torno deles. São as marcas do tempo.

Após as primeiras décadas de difíceis contatos entre índios e europeus, o colonizador lança mão do comércio de escravos, a fim de suprir as dificuldades da mão de obra para a lavoura e mineração. Com o europeu, o africano combinará o processo transcultural que marcou profundamente o folclore brasileiro.

Tanto da parte do indígena quanto do negro verifica-se então a perda contínua e irreversível dos valores originais. Permutação e aceitação de novos padrões na vida social e na cultural.

Os negros que vieram possuíam diferenças culturais, pois eram de diversificadas regiões africanas. Segundo Arthur Ramos, os três principais grupos seguem a seguinte distribuição:

Culturas sudanesas
Culturas sudanesas negro americanas
Culturas bantos

As danças africanas são, por isso, bastante heterogêneas dada a origem dos diversos grupos étnicos e regiões diversas em seus vários níveis sociais quer sob o enfoque socioeconômico ou político-cultural de sua gênese. Outro fator importante e influente advém dos cultos totêmicos que representam a entidade protetora do respectivo grupamento humano, lugar ou figura. Além disso, as danças africanas, visando identificação com a divindade pelo “êxtase” caracterizado pela comunicação do dançarino com a divindade da Dança é a movimentação corporal efetuada através do “transe” caracterizado pelos giros constantes do corpo que estabelece essa comunicação.

Para Arthur Ramos, os sudaneses puros e os negro-maometanos muito influíram no aspecto religioso (incluindo as danças rituais, da formação do povo brasileiro). Já os bantos tiveram grande influência nas danças profanas. Foram eles que trouxeram o batuque angola-congolense. Do batuque (palavra que vem de bater, fazendo marcação com as palmas e sapateados realizados pelos dançarinos nos terreiros das senzalas e instrumentos de percussão) derivam várias danças como samba, capoeira, trevo e outros.

Nos primeiros duzentos anos de colonização os únicos tipos de música ouvidos no Brasil seriam os cantos das danças rituais dos indígenas, acompanhados por instrumentos de sopro como a flauta de várias espécies, trombetas, apitos e por maracás e bate-pés; os batuques dos africanos, na maioria das vezes, também rituais e a base de percussão de tambores, atabaques, marimbas, xequerés, ganzás e palmas e finalmente as canções dos europeus colonizadores trazidos pelos açorianos.

Os portugueses que vieram para cá também trouxeram suas danças, muitas já influenciadas por outros povos europeus, principalmente o espanhol e os árabes durante a permanência na península ibérica por 500 anos.

Formas como a modinha e o lundu surgiram na segunda metade do século XVIII. O maxixe surge por volta de 1870. O que se dançava nos salões da camada rica da sociedade do Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, eram as mazurcas, polcas, schottisch, valsas e quadrilhas de origem europeia. Enquanto isso, o povo fazia suas danças à parte, transculturando suas formas originais.

As danças folclóricas brasileiras possuem características regionais. Dependendo da influencia étnica do lugar, ela terá mais aspectos indígenas como nos estados como Amazonas e Pará; africanos como na Bahia, Minas e Rio; ou europeus como nos estados do Sul do país.

Podemos dar como exemplo a Cana-Verde, dança encontrada em diversos estados do país e que, não se repete de lugar para lugar havendo mudanças na letra, música e coreografia.

No Brasil, as influências indígenas se fazem sentir mais no Norte do Brasil, enquanto que as de origem “afro” são mais especificas na Bahia, Minas e Rio de Janeiro, e as de origem ibéricas e outras se manifestam no Sul do País.

Além das influências étnicas nas Danças, evidenciam também o sincretismo religioso “afro-católico” que é aspecto decorrente do primeiro a influenciar as manifestações folclóricas e típicas em nosso país. Portanto, cada região brasileira possui características étnicas e culturais diversificadas que influenciam o pensar, sentir e agir das respectivas regiões.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A história da Dança - parte 4

Finalizando nossa série sobre a história da Dança

Nova era na História da Dança

A consciência do homem como senhor de si mesmo e do mundo, sepultou os padrões medievais e revolucionou o pensamento e a estética.

Em Florença, Lourenço de Médici lança a moda dos “trionfis” que duravam vários dias.

A coreografia dos triunfos era majestosa e os próprios nobres serviam de intérpretes. Imitando a antiga Grécia, a dança passa a fazer parte da educação dos nobres. Tornava-se necessária a figura do mestre de dança que ensinasse os passos e fizesse a remarcação da coreografia em torno do tema escolhido pelo nobre que o empregava; geralmente eram judeus convertidos.

Batalha analisa que por volta do século XIII, iniciou-se a distinção entre as danças dos camponeses e a dança dos nobres. Basicamente, consistiam nas mesmas danças, contudo, os cavaleiros cultivavam a galanteria e com roupas mais refinadas modificaram os movimentos para adaptá-los à limitação de movimentos no tronco e eliminação das danças altas (executadas com saltos). Este é um ponto de partida para a separação entre as danças populares dos camponeses e as danças eruditas praticadas pelos nobres. As classes camponesas continuavam a ser ensinadas pelas famílias e comunidades e os da corte iniciam um processo de ensino específico de aperfeiçoamento de movimentos, tornando-se cada vez mais complexo seu aprendizado (Batalha, 1928: 28).

De acordo com o gosto vigente, os ballets assim chamados se desenrolavam em torno de temas da antiguidade clássica grega e seu cunho educacional além da educação dos passos e gestos requintados, ora tinham conotações pejorativas ora de exaltação da nobreza. O tema “Circe”, feiticeira lendária, identifica Catarina de Médico como a mesma: ambas tinham o poder de transformar pessoas naquilo que desejassem.

A distinção de danças para indivíduos de diferentes classes sociais proporcionou um acréscimo de contribuições e conhecimentos para os da classe aristocrática que causaram ao ensino um afastamento cada vez maior dos objetivos renascentistas de integrar globalmente o ser humano.

Com o virtuosismo italiano e a finesse francesa, a dança que já se academizara, transforma-se em dança teatral, para espetáculos. Estabelece, assim, um hiato entre a Dança/Educação e a Dança/Arte.
Após a definição do academismo, o ballet se desenvolveu acrescido de novos estilos e influências no estilo.

Segundo Knackfuss (1988, 31), os primeiros estudos científicos aplicados à dança foram efetuados por John Weaver que, em 1721, ao escrever Anatomical and Mechanical Lecture upon Dancing forneceu os primeiros fundamentos para que a instrução de dança se beneficiasse dos conhecimentos do corpo humano.

Em pleno reinado Romântico, no século XIX, a Itália tornou-se centro do ballet e contribuiu com inovações no vestuário para a criação de um código mais completo: são criadas as sapatilhas de pontas e os tutus românticos (saias de gaze leves) que revitalizam os conceitos técnicos pela possibilidade de maior amplitude de movimentos e de leveza na execução.

Baseado na geometria, Carlos Blasis cria o “Code de Terpsicore”. A estrutura do código permitia aos bailarinos executar com precisão os passos e sequências dos movimentos. Os bailarinos, dentro de linhas e ângulos elaboravam as formas do corpo com bases nas cinco posições do pé “en dehore”.

Foi o ensino da Escola Imperial Russa que ligou os elementos tradicionais do ballet aos elementos do folclore russo, espanhol e de outros países permitindo enriquecer o ensino da dança de novos estilos, graças ao genial Petipa e Cocchetti. Assim, o repertório coreográfico exercia exuberância e a criatividade.

Com os Ballets Russos de Diaghilev excursionado pela Europa, Estados Unidos e América do Sul, desencadeia como consequência novas tendências à dança do nosso século. Entretanto, o ensino do Ballet como arte teatral sempre objetivou a preparação de profissionais para espetáculos, exigindo de seus executantes determinada somatotipologia que deveria atender as características dos métodos, cuja nomenclatura é ensinada em francês.

A partir do século XIX começa um movimento contra a formalização do aprendizado da dança. As duas correntes, a moderna, que surgia, e a acadêmica tradicional, passam a possuir divergências estruturais em suas teorias fundamentais filosóficas onde são exigidos aos professores competências diferentes de ensino. É que o Impressionismo, que influenciava outras manifestações artísticas também se estabelece entre a arte de dançar. Com características bem diversas, a nova tendência da Dança se originou de princípios filosóficos a partir das teorias Rousseau, Marx, Darwin e convergem para o movimento expressivo do homem, introduzindo ao ensino da dança outros valores e atitudes e, consequentemente, habilidades e conhecimentos mais abrangentes das possibilidades do movimento.

Nesse panorama do século XIX, surgem vários inovadores, dentre os quais se destacam três principais precursores desde movimento de dança.

Jacques Dalcrose, que criou o método denominado “Eurritmia”, descoberta da reprodução dos sons e ritmos reproduzindo-os no corpo que dava liberdade de criação aos alunos. A eurritmia influencia a dança fortemente devido ao preparar, com essa influência, certas correntes do nosso século.

Isadora Duncan (americana), de inspiração filosófica em Platão, cujo ideal era o bem-estar comum através da arte e em Witman cuja ideologia nacionalista previa para o americano ser a civilização do futuro. Com bases no naturalismo de Rosseau, Isadora assim antevia a dança com os movimentos partindo do interior de cada ser de forma impressionista.

Rudolf Laban, que integrando a dança a outras artes, estudou o domínio dos movimentos, criou um sistema de anotações e incluiu elementos interpretativos ao processo de ensino da Dança.

Assim, o ensino da Dança Moderna, segundo as diretrizes de seus precursores, deve ter como base as leis que regem a mecânica corporal; deve ser uma expressão global do corpo, onde a emoção, sensibilidade e criatividade se tornam o foco central, ou seja, se convertem em uma expressão máxima ensejando a possibilidade de se auto realizar e de se autoconhecer exercida de forma contextual pelos que a exprimem.

Dessa forma, a Dança, não mais privilégio de uma classe, se torna uma forma de desenvolvimento e aprimoramento do homem, possibilitando enveredar para os caminhos de sua auto-realização. Assim, o Ensino da Dança Moderna se permitirá integrar o Currículo Escolar.

Para tal, ousamos propor e sugerir alguns princípios, fundamentos e aspectos que cerceiam a Dança da Pré-Escola à Universidade.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A História da Dança - parte 3


 A Dança na Roma Antiga

“As formas criadas e registradas nas pinturas e esculturas foram de tamanha beleza que mais tarde tornaram-se objetos de inspiração e estudo por parte dos que se propuseram a organizar o ensino da Dança e aos reformadores da época moderna” (Knackfuss, 1988, 26).
Também entre os romanos, apesar de menor intensidade e diversidade, a Dança se fez presente em sua educação.

As mulheres eram educadas nos “gineceus” para as tarefas do lar e algumas vezes aprendendo danças, música, poesias e canto.

Os exercícios físicos em Roma eram praticados com finalidades militares e não com a preocupação estética dos gregos. Entretanto, o jovem aos 16 anos, ao entrar na escola de retórica, também recebia como educação estudos complementares de ciência e artes, onde a música e a dança pouco a pouco ganhavam aceitação (Marinho, 1988: 61-62).

Os grandes jogos ou “Romanos” eram celebrados em setembro e abril estabelecidos pelo primeiro imperador Rômulo para comemorar os raptos das Sabinas.

As festas começavam no Capitólio de onde descia uma caravana profissional até o Circo Máximo. Em meio da caravana. Além de várias categorias sociais, também incluíam tocadores de flautas e dançarinas cuja arte provinha das artes etrusca, árabe e grega, após o domínio destes povos pelos romanos.

Entretanto, segundo Knackfuss (1988, 27), em Roma a dança experimenta um declínio devido ao profissionalismo para a diversão. Os dançarinos migraram para Roma em busca de fama e prestígio. Entretanto, não encontraram ambiente profícuo, porque a dança romana só fazia parte de rituais religiosos.


Com o interesse pelas danças gregas e etruscas, por volta de 200 a.C., a dança assume importância na vida privada. Cada família de patriarcas mantinha um professor grego para que as coreografias fossem ensinadas aos filhos restringindo-se, entretanto, às representações de movimentos. A dança romana espetáculo é marcada pelas pantomimas e danças imitativas do Oriente. Só não tomava parte na vida espiritual de Roma como para dos gregos.

Percebendo o seu desnível em relação aos gregos, os romanos contrataram professores para reproduzir a dança de outros povos. Com isso, o ensino da Dança passa a ser institucionalizado pela primeira vez na história da dança, para atender uma determinada classe social – a dos patrícios.

Idade Média - a Dança colocada de lado

A similaridade de Roma, na Idade Média, com a estratificação de classes sociais, os senhores feudais colocavam a seus serviços professores de dança.

O ensino da dança se estabelece com duas tendências: de um lado o poder dos aristocratas pela solicitação da vida palaciana com seus gestos e movimentos refinados executam danças características e peculiares à sua classe social, enquanto do outro lado, os anseios das comunidades campesinas reunidas em sociedades e cultos secretos preservam as formas tradicionais das manifestações populares.

A Idade Média, período longo que se estende de 476 a.C. até 1453, com a tomada de Constantinopla pelos árabes, pouco espaço cedeu à Dança. Esse período chamado pelos renascentistas de “Idade das Trevas” manteve um clima de instabilidade e proibição para as danças, dada a substituição da autoridade civil pela autoridade eclesiástica graças à forte interferência do cristianismo triunfante.

Algumas vezes era dúbia a atitude da igreja e a dança era condenada por um lado e tolerada por outro. Nas pregações meio intervencionistas da Igreja na forma de educar os cristãos, a dança era destronada graças a certo episódios bíblicos como o martírio de São João Batista, decorrente da sedutora dança de Salomé.

Entretanto, o uso de danças de caráter místico foi comum dentro das Igrejas, como forma da mesma canalizar para o culto os fiéis necessitados de se educar na palavra de Jesus: se dançava as carolas, espécie de roda em torno do altar.

A dança, de uma forma geral, hibernou por vários séculos até que no Renascimento surge através da dança macabra – uma espécie de histeria coletiva – o teatro religioso com cunho educativo, ou seja, o de submeter o homem em cenas de submissão aos desígnios divinos, forma de intervenção ou educação.

Educar os neófitos, na nova fé, a dança com narrativas fantasiosas era um apelo para a dança teatral com elementos e enredos de apelo popular que durou até o século XVIII nos países da Península Ibérica e na Itália.

A intervenção de cunho educacional era tão forte, graças à força do enredo que misturava passado e presente:
  •  Danças de interlúdio executadas na “boca do inferno” (representações);
  • Atores com máscaras de caveiras dançavam de foice em punho.
Após a austera doutrina de Lutero com repressões às danças pois as mesmas impediam a representação das passagens bíblicas, a dança na Idade Média hibernou fortemente. Mais uma vez a Igreja a reprimira.

A Dança na Renascença também sofre influência das ideias humanistas: expressar um conceito de beleza em que o corpo e espírito deveriam formar um todo harmonioso.

Desde meados do século XIV o reflorescimento é influenciado pelo início de uma nova era.

sábado, 1 de dezembro de 2018

História da Dança - parte 2/4


Japão


As danças no Japão, variadas e espontâneas, integravam festas rituais como o plantio do arroz, a da noite do retorno das almas, a da floração das cerejeiras, a barca das lanternas.

Masculinas ou femininas, estas danças ilustram lendas ou crenças sobre a relação entre divindades e natureza. A teatralização de costumes populares e práticas religiosas que a dengake a surugaki se assemelhavam às pantomimas romanas e se alternam entre o enfoque dramático e cômico (Portinari, 1989: 46).

As peças caracterizam-se por enredos que mesclavam o natural e o sobrenatural.

Entendemos o ensino da dança antes da chegada do Ballet somente pelo seu aspecto de tentar reunir influências do xintoísmo e do budismo como forma de interpretação para o povo através de seus rituais.

Portinari analisa como primeiros codificadores do gênero “Nô” que ressaltavam os aspectos acima mencionados identificando com Kanmani/Kyotsugo (1333-1384) o seu filho Searni (1363-1444) que selecionara temas e escreve diversas peças.

Entendemos o “Nô” como uma dança antiga de cunho expressivo capaz de passar mensagem através de uma comunicação corporal que educa o povo.

Mais do que outros países orientais, o Japão abriu-se às influências estrangeiras convivendo em igual significação o tradicional e o moderno na cultura japonesa, e o Ballet ganha no Japão muitos adeptos.

China

 
Na antiga China, a Dança teve lugar privilegiado na corte imperial; integrava-se a dois princípios básicos da cultura chinesa representados pelo Yo, a música, e Li, os rituais. Através desses ritos, honrava-se a memória dos ancestrais e o espírito do Grande Mestre (Deus, guia) que representava a fonte da virtude.

Com o domínio da dinastia dos Chou (1122-225 a.C.), a China alcança o maior esplendor de sua cultura. Foram fundadas escolas em sistemas verticais (que hoje corresponderia ao sistema atual) dentro das quais se praticavam lutas, desportos e danças. Dentre as danças na Educação, a dança das espadas era praticada pelo exército e nas escolas, creio, como forma de dar forças e vigor físico e desenvolver a coragem e o destemor.

No reinado de Chum Huang Ti que sobe ao trono aproximadamente em 246 a.C., era usada uma pantomima bélica, que representava a vitória do soberano sobre os nobres rebeldes. O superespetáculo de caráter didático era encerrado como educação dos súditos para fortificar a sua fiel obediência ao imperador-deus.

Na monarquia absoluta de Ying-Chang, as danças eram também praticadas. Com o imperador Han-Wu-Ti que sucedeu o anterior, estabelece o cerne da cultura chinesa e nela inclui danças realizadas em cerimônias com cunho educacional (Marinho, 1984: 35).

Egito e o Povo Hebreu


Dentre as civilizações antigas, cuja dança tinha caráter sagrado, se destaca o Egito. Como tal, a dança tinha um caráter eminentemente ritualístico, voltado para a adoração de divindades como Osíris, Isis, seu filho Hórus – trindade básica da religião egípcia.

Além do caráter sagrado das danças egípcias, havia também o cunho educacional. Entretanto, cabe ressaltar que o festival de Abydos realizava-se de acordo com indicações em hieróglifos e era garantido pelo ensino do esquema do Festival através de anotações. As indicações de hieróglifos (codificação dos ensinamentos) garantiam a repetição de um esquema. Portinari analisa que havia diretivas para a ação precedida pela identificação de cada deus. Os personagens usavam máscaras e executavam um gestual estipulado acompanhado de cantos e danças.

Devido a essa codificação do esquema do Festival de Abydos, os historiadores situam-na como ancestral do teatro.

Os hebreus, sendo uma austera civilização centrada numa divindade única e material, raramente utilizavam a dança no culto, pois são proibidos de representar seres vivos.

Há, entretanto, algumas alusões às danças nos livros como os salmos, mas sempre de forma vaga: Louvemos Javé através de cantos e danças.

O povo hebreu é o único a não ter transformado sua dança em arte, denota Bourcier (1970:17).

Segundo o historiador André Cagnot, os hebreus teriam aprendido a danças durante o cativeiro no Egito (Portinari, 1989, 22). Por este motivo, a Dança de Salomé, possivelmente como arte de sedução, teria conotações da arte egípcia.

Grécia


Os gregos deram importâncias à Dança desde os primórdios da civilização. Ela aparece em mitos, lendas, cerimônias, literatura e também como matéria obrigatória na formação do cidadão (Portinari:1989: 23).

Em Esparta Antiga, os jovens praticavam a embateria, ginástica rítmica que lhes dava resistência e agilidade necessárias à vida militar.

Em Atenas, só era considerado educado o homem que além da política e filosofia soubesse também tocar algum instrumento, cantar e dançar;

Portinari (1989, 34) relata: “Platão (428-347 a.C) refere-se à dança integrada ao aprendizado da música e do canto, dizendo nas LEIS que as artes corais são imprescindíveis ao homem educado”. 

Enfatiza, porém, que há duas espécies de música e dança: uma nobre e uma ignóbil. A nobre imita o que é belo e correto, devendo assim ser ensinada às crianças, pois contribui para o equilíbrio da mente e o aprimoramento do espírito.

O pensamento ocidental, sobre o qual Aristóteles exerceu poderosa influência, deu atenção às questões da Dança na Educação, mas como atividade profissional. Entretanto, a música e a dança lhe pareciam indignas do cidadão.

A Dança recomendada pelos filósofos gregos era aquela que cultivava a disciplina e a harmonia das formas.

Na Grécia, a Dança constituía parte fundamental da Educação: realizada de várias formas, era empregada a partir dos cinco anos até o limiar da velhice.

A educação, na Grécia, consagrada às crianças e jovens, era dividida em plano educacional, elaborada por Platão resumindo em cinco etapas. Era, entretanto, na primeira etapa que a música e a dança exerciam maior ênfase na formação dos jovens. Sócrates dizia: “Devemos começar pela música antes que a ginástica”. Para os gregos, a música era aliada ao movimento emocional; parte da educação das crianças de 7 aos 17 anos (Marinho, 1984: 50).

Os cantos e as danças visavam exaltar Apolo, o mais querido dos deuses para os gregos que acompanhavam-no com cantos.

Os espartanos usavam a dança como uma atividade de maior importância para a educação dos guerreiros, atribuindo-lhe elevada desenvolvimento de forma, sobretudo como meio de preparação para a luta e o pugilato. Consideravam-na de grande importância para a preparação corporal, que chegavam a dizer que os melhores dançarinos se convertiam nos melhores guerreiros.

Os gregos, com exceção do Ballet, conheciam todos os tipos de dança, afirma Diem. Das atuais às em desuso. Praticavam danças individuais, grupais e em grandes conjuntos. As mais comuns eram os rituais funerais, guerreiras e folclóricas, expressionistas e pantomímicas com motivos da natureza e com os ritmos da fecundidade. Algumas eram sistematizadas por uma série de exercícios para correções posturais e do movimento, hoje educação de movimento.

Pelo exposto, podemos perceber que as danças gregas abrangiam uma vasta forma de danças educacionais (Jordão, 1989, 111).

A filosofia era primordial para os gregos. Os filósofos Homero, Sócrates, Platão, Pindar, Sólon, Pitágoras praticavam também Danças. "Devemos dar ao corpo e ao espírito toda a beleza de que são capazes?", era uma máxima de Platão. Assim, a integração da filosofia às artes era objeto de inspiração para a educação da Grécia, destacando-se o canto e a dança como principais entre elas.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

História da Dança - parte 1/4


A Dança na Índia Milenar

Sempre existiu, através do tempo e do espaço, conflitos que se traduziam pela necessidade da disciplina pretendida pelo educador e a liberdade reclamada pelo educando. Foram os filósofos que trouxeram ao campo da pedagogia as influências do Hedonismo. Segundo Penna Marinho, esta visão educacional nasceu após o Renascimento, quando “especialistas especularam sobre os fundamentos da Educação e advogaram para as crianças mais liberdade, mais alegria, mais felicidade, reagindo contra situações em que elas se encontravam perenemente ameaçadas, amedrontadas e castigadas” (Penna Marinho, 1984:42).

Se estudarmos a vida de qualquer povo, das civilizações mais primitivas até nossos dias, encontraremos sempre como expressão de uma cultura e como educação das crianças aos jogos, os desportos e a dança.

As Danças, em todas as épocas da história e/ou espaço geográfico, para todos os povos é representação de suas manifestações, de seus “estados de espírito”, permeados de emoções, de expressão e comunicação do ser e de suas características culturais. É ela que traduz por meio de gestos e movimentos a mais íntima das emoções acompanhadas ou não de música e do canto ou de ritmos peculiares.

Como toda atividade humana, a Dança sofreu o destino das formas e das instituições sociais. Assim, estas perspectivas abrem uma relação entre as peculiaridades, características e o caráter dos movimentos dançantes e o desenvolvimento sociocultural dos povos em todos os tempos.

Desde tempos imemoráveis, a Dança como atividade humana é forma de manifestação, a primeira, também como comunhão mística do homem com a natureza e com os deuses. As expressões dinâmicas das emoções do homem primitivo – dança-ritmo – procuravam estabelecer um encontro consigo, com os outros e com as forças da natureza. Pressionada pelo ritmo natural, a dança na vida do homem primitivo presidia a todos os acontecimentos – nascimento/morte; guerra/paz; cerimônias religiosas e de iniciação; tinham emocionalmente um caráter ritualístico. Esse sentido da dança-magia do homem primitivo, que presidia a todos os acontecimentos de suas vidas visava sempre o mesmo fim: a saúde, a vida, a fertilidade, o vigor físico e sexual marcado pelo caráter religioso, terapêutico, estético e educativo.

Como educação das crianças entre povos primitivos ainda hoje a Dança deve proporcionar situações que lhes possibilitem desenvolver habilidades várias de possibilidades de movimento, exercer possibilidades de autoconhecimento e ser agente efetivo da harmonia entre a razão e o coração.

A dança dos hindus, irmanada aos atributos de Shiva, que juntamente com Brham e Vishnu foram a trindade básica do hinduísmo, é uma concepção filosófica e religiosa. A dança de Shiva foi considerada por Rodin como a mais elevada concepção do corpo em movimento onde quatro braços simbolizam o poder: os dois da direita têm função criativa, estendem-se para abraçar e tocar o “damar” – tambor para despertar a vida; os dois da esquerda manifestam destruição, aponta o inimigo vencido e o outro exige o fogo imolador.

Com o mesmo sentido de criação-destruição-recriação há também a Dança de Krishna, outro deus hindu tido como a oitava encarnação de Vishnu. O jovem Krishna aniquila com sua dança a serpente que envenenava a água do rio.

Sempre inspirado na atividade divina, a Dança na Índia segue os conceitos de energia, sabedoria e a arte brotam de uma mesma raiz divina que produz e coordena a vida. Esses conceitos se relacionam dentro de um raciocínio que nada tem a ver com a lógica ocidental. Expressam a integração de elementos opostos – espírito e matéria – gerando o ritmo da natureza que tanto passa pela contemplação mística quanto pela sensualidade; não separa o sagrado do profano. Tem assim a dança do povo hindu um caráter de intervenção e volta-se sobre este prisma para o caráter educacional.

Os pioneiros da dança moderna, como François Delsarte, Ruth Saint-Denis e Ted Shaw, usaram-na para a educação corporal e espiritual.

Na Índia milenar, a Dança segue quatro estilos ou correntes coreográficas com concepção de drama: “Bharat, Natyam, Kathakali, Manipuri e Kathak”. No momento, cumpre esclarecer a última citada a contar “histórias educativas” e mostra uma forte influência islâmica nos temas dançados. O intérprete deve ser hábil em expressar a narrativa linear bem como todas as sensações que a mesma desperta nos educandos.

Essas danças na Índia permanecem arraigadas à cultura hindu graças à permanência de danças vinculadas às tradições milenares, resguardadas em seus temas e as suas formas de execução.